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ALADO

tudo o que o tempo quebra não se esmaga em cinzas.
nunca desfeitas, nem pedaços ocos.

pontos migratórios do querer. para lá.
onde o pensamento reside na ventura do acontecer!

ALTAR



o mel da minha saliva diz-me que em ti construo uma prece devotada ao altar do desejo. recolho-me em devoção à doçura incessante com que transformas o meu suor na água benta da dádiva.
eis-me em oferta e no meu corpo te entrego todos os pedaços firmes da minha fé!

glória eterna ao teu luar sem mácula,
que rezarei sem cessar nos meus uivos cantados!

©2008 joaquim amândio santos e editorial negratinta

PHOTO created by AUGUSTO PEIXOTO

ONDULAÇÃO


quando o mar irrompe no arrogo farto que comanda as suas ondas deleitadas num furtivo afago do teu corpo, arranco célere seixos da areia e atiro-os sem hesitar. mergulho nele a minha raiva musculada, e reclamo minhas todas as conchas suas. e só então me deito a teu lado, numa praia nascida para ninho de encontro entre minha mão e a tua. assim nasce o nosso namoro carregado de conchas para nos sossegar!

CACAU


cobre-me o manto doce do sorriso,
sempre que venero teus contornos únicos.

diz-me o mundo que será a névoa do sonho,
digo-lhe que é a minha vontade cumprida,
num hino à antecipação.


©2007 joaquim amândio santos e editorial negratinta

"Mulata", Pintura de Claudia Perotti
Acrílico sobre cartão - 12/09/2007
0,70 x 0,50 m

CONVITE



REBENTAÇÃO


a salinidade imaginária
dá um alento redobrado ao mel dos nossos sentidos.

torna-o prolífero num farto desejo
desaguando em ti
cada gota cristalina do meu mar.

Esta cidade, chamada Igualdade, chamada Utopia


I

Ergue-se a tua voz, cidade.

Diz-me que a verdade não está na terra do nunca.

Pulsas por cá, sem que o teu betão seja surdo, somente cimento, pálido no seu cinzento,

Não sendo tormento sem lugar à humanidade!

Nesta cidade

Estou, sem querer uma estada sem Ti, na ausência de todos.

Assim se construirá a nossa luta pela partilha, tecida nas malhas do consenso,

sem voltar nunca as costas ao desafio da fragilidade.

O lugar a todos torna-te cidade lar de cada um.


II

E se te consome o frio, quando assola, seja meu o cobertor do teu aconchego.

E se obedece à míngua o pão teu, que essa seja saciada pela metade do que levo à boca,

quase sempre em demasia.

E à falta de trabalho para Ti, que eu te abra uma porta, sem medo cego de que o teu sopro de felicidade seja vento gélido para o meu sucesso

E que a dita tua deficiência seja razão para o profundo carinho da minha devoção.

Que as chagas da tua doença mirrem sob os auspícios do mais terno cuidado.

E que nesta cidade, venha o dia, nos dias todos,

Em que a tua mão estendida assim seja para apertar a minha,

nunca como súplica da vida que te foge!


III

Nesta cidade ergue-se ufana a vontade do arco-íris.

Pulsam, sem mácula, todos os tons, todas as nunces que o preenchem.

Nesta cidade é grande a vontade de jamais submergir ao triste domínio do preto e do branco.

Sem negritude mortal, numa ausência da palidez cínica, construímos um ninho sem fim.

E quando minha língua não entender a tua,

Erguemos o nosso entendimento na universalidade de um sorriso.


IV

Esta cidade chamada igualdade,

Nunca responderá ao chamamento da exclusão!




Ermesinde, 23 de Outubro de 2007

TEXTO OFICIAL DO ARRANQUE DO "ROAD SHOW" IGUALDADE PARA TODOS,

PROMOVIDO PELA UNIÃO EUROPEIA

©2007, joaquim amândio santos e negratinta editorial


photo by

©2007 PEDRO MOREIRA



enquanto dedilho esta peça de metal cantante,

penso em todos os uivos dos meus mundos que desafiaram a minha lua!



Na cadência musical das palavras,

a voracidade do apetite. sem tréguas.

e rezarei na protecção nascida nesta unicidade com todos.



que nunca o meu farto silêncio se torne refém de um vazio parasita.

cristal


enterra os teus medos para lá dos sete palmos que o hábito prediz.
ousa teu voo bem acima do firmamento.

não te fiques pela sedução das estrelas.

teu caminho está amorosamente no trilho do sétimo céu.

e por lá, cai o manto da noite
como se fosse amor...

os nossos receios já se foram.
meticulosamente reduzidos a estilhaços.
sem mácula.

viúva negra


Eu já não sei se o que me prende à teia
É a promessa do que nunca vem
Eu tenho medo de um dia acordar
E perceber que não amei ninguém.

Ah se eu pudesse me livrar de ti
Tudo eu faria sem pestanejar
Mas quantas vezes eu lhe disse adeus
E lhe deixei voltar.

Teu veneno se tornou o vício
O exercício da alucinação.
Como um diabo me faz rastejar
Uma deusa é minha salvação.

Eu já nem quero ver pra crer, Deus
Pra não saber a mortal que é
Muito pior do que perder você
Será perder a minha fé.

Talvez o tédio ame a loucura
Talvez a cura de outra solidão
A tua luz me atraiu à teia
E a tua teia atéia me traiu.

Mas o fascínio da viúva negra
É o veneno quando causa o amor
E o macho devorado aos poucos
Tem prazer na morte nunca dor.

Viúva Negra
(Eduardo Rangel)

Eis que me revejo neste deliciosamente canibalesco acto de amor
exacerbado até ao extremo de quem sente na pureza da emoção!
Eis que as palavras se armam em canção e entoam rezas divinas,
encantamentos firmes,
prenhes de devoção.

ao amor, como convém, como assim deve ser para o ser. sempre.
tocado pelos favores da perfeição.

deliver

deliver me, out of my sadness
deliver me, from all of the madness
deliver me, courage to guide me
deliver me, strength from inside me
all of my life i was in hiding
wishing there was someone just like you
now that you're here
now that i've found you
i know that you're the one
to pull me through
deliver me, loving and caring
deliver me, giving and sharing
won't you deliver me?

marina

caminhamos por trilhos sempre envoltos no nevoeiro
que anuncia as quebras de direcção.calcorreámos estradas que se erguem
bem para lá da nossa escolha.perdemos caminhos
que tão sedosamente tentámos construir.e os passos sucedem-se
mesmo que na ausência física do que nos vai na alma
e nos preenche o coração.
perdemos a rota
mas jamais deixamos de querer voltar à nossa marina!

LUZ

Mi lágrima brota impetuosa de la luz que me ilumina
En cada fracción de los segudos que cumplo al respirar.

Mi lágrima me atraviesa en un surco tan profundo como
El dolor que ostento en cada solloso de mi lloro contínuo.

Mi lágrima corre célere para el mar.
Mi lágrima sorbe la inmensidad del oceano y, sin descanso
Busca mi puerto de abrigo. Tu marina.

Mi lágrima es la libertad,
eyectada en cada pedazo de segundo de la vida mia.

Mas allá de la paleta de colores que nuestras retinas consiguen contener.
Mi lágrima me hace sumergir en el seno cristalino de tu libertad.
Tan férrea, tan eterna,
que nunca la sopla el viento.

Mi lágrima eres tu.
mi lágrima persigue tu camino.

Simpre que me consume la palidez del dolor
Siempre que no me reniego la fuerza colorida de la sonrisa.


2006 joaquim amândio santos
(versão castelhana de Luz Marina Gonçalves)

para una reina siempre señora y dueña de mi castillo




enseada
quando o mar deixa que suas ondas afaguem teu corpo,
arranco seixos da areia
e atiro raiva sem pensar.
mergulho firme nas suas ondas,
furto e torno minhas suas conchas.
deito-me então.
a teu lado.
minha mão colada à tua,
com conchas para nos sossegar...
joaquim amândio santos
para lá da película, a caminho da minha LUZ uma foto do sentimento...